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terça-feira, 31 de outubro de 2023

Curtas 18 - Hoje eu vou dormir com seu suor.

Você não toma banho antes de dormir quando está cansado e deixou certamente um pouquinho do suor e da sujeira do seu short espalhados no meu lençol, embora eu tenha evitado te cobrir.

Então hoje eu vou dormir com seu suor no meu lençol e também na minha camisola rosa. 

Se você não viesse me ver, seria só a camisola que combina com a touca e mais uma noite.

Mas você veio e isso não dói nem marca.

Mas veio e por essa noite, a camisola é a que esteve espremida entre os nossos abraços.

Quando fechei os olhos mais cedo, de cansaço, sem saber como lidar com desligar a sua presença da minha vida, eu lembrei de ontem e de como eu tentei decorar a sensação da sua presença física pra lembrar hoje.

Eu me imaginei deitada na minha rede, lembrando da gente junto de um jeito quase abstrato. Como acontecia em diversas noites.

E estando lá eu quis gravar a objetividade do seu braço adormecido sobre o meu estômago.

E a objetividade do meu pé procurando o seu com um lençol no meio. 

E a objetividade de sentir um calor e uma presença quaisquer por diversos e minúsculos fenômenos que a física deve ter documentado em leis anos atrás. 

E durante todo o tempo em que estivemos juntos, notei a subjetividade da sua presença e a força que ela exerce sobre a minha realidade. Acho que sobre essa parte ciência nenhuma tem domínio. 

Como sua presença muda a cor do meu chão. Como a vida desliza e não trunca, diferente de quando me vejo só, aqui, sem você.

As pessoas, quando estou contigo, são figurantes. E quando estou só são possibilidades e apreensões.

Quando estou contigo as coisas fluem de um momento a outro, momentos contigo, pequenas felicidades, pequenos prazeres e aventuras.

Quando estou só meu dia parece uma sucessão de atividades que precisarei repetir em algum tempo. Dia após dia. 

Contigo passar o dia deitada faz sentido. Dormir ao seu lado e acordar te chamando faz sentido. Ver qualquer coisa ao seu lado e jogar uma conversa, e trocar um carinho, parecem simplesmente o motivo para o qual eu existo.

E sozinha eu não encontro motivos.

Quando estou só, nada do que eu tento parece fazer sentido e me levar a lugar algum. Ou assim me parece quando estou contigo. A minha felicidade tem lugar pra se manifestar, que é na sua presença.

Então tentei dormir essa tarde pra fechar o ciclo de te ver. Pra quando acordar ser outra que não te viu. E quando fechei o olho eu lembrei de como tento ficar confortável ao seu lado. Eu lembrei do seu braço no meu estômago, e caindo de sono eu vi seu rosto próximo do meu. 

E depois dormi.

domingo, 27 de novembro de 2022

Uma noite assistindo a camerata de cordas da universidade da cidade.

    Ontem vi uma árvore com folhas nas cores amarela e verde, só dois tons, e os espaços escuros. Pensei "Essa árvore não pode ser comum", apesar de que fosse, não era. Porque na frente dela, em plano mais baixo (em relação a árvore) e em plano mais alto (em relação ao público), estava montado um palco com uma camerata. 

    Eles executavam músicas que tocariam qualquer um por ser o que são, por suas idas e vindas, pela emoção que produziam. Mas tocavam mais ainda aquele público, presente por gostar dos filmes para os quais as músicas foram compostas, filmes que em sua narrativa e visual já conseguriam encantar.

    Entretanto, estes são filmes produzidos por um homem que soube fazer o papel de um grande artista: Exprimir sentimentos que existem em todos nós, mesmo que nem sempre lembremo-nos deles ou sequer atentemo-nos, mas, este homem foi capaz de colocar nestes filmes, de forma nunca antes vista (por mim) tais emoções e climas (aqui colocados no meu entender do que é um clima).

    O fato de uma musicalidade deliciosa estar associada a um trabalho audiovisual tocante já seria o suficiente para que, ao serem transportadas estas músicas para o real, no tocar de um violino, e vários outros instrumentos, e ao trazerem, no reger do maestro, do imaginário para o presente um pouco do mundo aqui descrito; aquela árvore se transfigurasse numa coisa especial. Porque basta uma simples luz amarela apontada para ela, para que uma árvore nessas condições sofra a transmutação mágica do encontro do real com o fantástico. Da suspensão do tempo. 

    Mais que isso para mim. Esses filmes me foram apresentados numa época especialmente delicada. Um deles me fazia dormir todas as noites quando nada mais conseguia. Outro, me inspirava a tentar tirar esses sentimentos da tela para fora. As narrativas que eles criaram dentro de mim se misturaram de tal forma com o que é especial que eu não pude conter um leve arrepio nos lados da nuca e algumas lágrimas que escorreram enquanto eu ouvia, naquela praça, no meio de uma cidade que tanto me fez mal, um pouco do que também me cura. 

    Naquele palco eu vi meu passado, vi o que se esconde em mim fora do tempo e me faz bem, vi o que busco e o que temo. Vi uma tentativa tímida e corajosa de unir tecnologia e música. Vi que não é preciso muito para fazer o incrível, mas que é preciso estar atento para se jogar nele. Quis estar presente. Tirei os óculos para enxergar o real. Fechei os olhos para ouvir o real e imperfeito mas que me servia tão bem. Por tão pouco quase deixei tudo aquilo escapar. Pensei: O quanto a gente subestima a cultura... 

    Quando, ainda este ano, vi uma frase do célebre Sociedade dos Poetas Mortos, não a achei tão real como agora depois da experiência de ontem: “Medicina, direito, administração, engenharia são atividades nobres. Mas poesia, a beleza, o romance, o amor são as coisas pelas quais vale a pena viver”

    Vi mais naquele palco. Os ciclos, ou melhor, a linhas que conectam fatos e lugares. Vi o futuro de um dos meus amigos e também uma reflexão de como o Maurício de Souza vive numa realidade tão distante da minha, que só ontem entendi porque ele desenha roupas masculinas de um jeito tão específico. 

    Houve um momento em que veio para a frente do palco uma menina. Todo o tempo a mãe dela estava, com uma elegância cinematográfica, guiando e apresentando a sequência de músicas da camerata. Ela (a mãe) usava uma blusa preta de manguinha, elegante e delicada, com um tecido suave e brilhoso. Uma calça preta opaca, com a mesma elegância da blusa (não poderia aqui descrever detalhes de corte e costura, por isso uso esses adjetivos repetidos e deixo para que a imaginação do leitor preencha as lacunas), e um salto preto reluzente. Tudo em seu aspecto me lembrava roupa de loja, o que me traz uma sensação ruim com suas problemáticas, mas inserida em tal contexto me trazia outro clima. Uma elegância de apartamento (outra vez, use a imaginação para entender, porque eu escreveria um texto inteiro associando o que a roupa daquela mulher me causou). E havia em cena, agora, a sua filha com um vestido rosa liso e uma meia calça discretíssima. Não lembro dos sapatos. 

    A menina, de treze anos, estava cantando uma música linda que eu não conhecia. Ela tinha os ombros um pouco curvados, a respiração um tanto descontrolada e um sorriso de aparelho muito característico da idade. O seu nervosismo era na medida conveniente. E eu encarei aquelas duas em cena, mãe e filha, como uma representação do passado e do futuro. O que uma mulher é, e o que pode se tornar. A leveza no rosto da filha era despretensiosa, e no rosto da mãe havia uma leveza amadurecida. Uma graciosidade que mostrava confiança e experiência. "Acho que a mãe dela escolheu esse vestido", e pensei sobre como ela estava entrando num mundo que não era dela, e onde talvez escolhesse ficar. O mundo é violento. Mas a gente faz o possível para encantar e se deixar saudável. Pensei na mulher mais velha "Como ela chegou ali? O que ela passou pra ser como é?" ela não parecia sofrida. 

    E ao final dos aplausos, como um aceno de cabeça do universo às minhas observações silenciosas, a menina fez menção de descer pela frente do palco, ao que sua mãe disse, com um tom muito fofo mas ainda elegante: "Não, não, não, por trás" e terminou com um "Tudo bem", bem conformado quando a menina desceu pela frente do palco assim mesmo. 

    Saí meio chateada por ter que voltar para a minha vida normal depois de um momento tão bom. Embora a vida seja cheia de momentos ímpares que aparecem de repente. Pensei outra vez em como subestimo o potencial de tais oportunidades, em como as deixo passar. Esse pensamento foi reforçado quando, passando por uma loja de quadrinhos mais tarde na mesma noite, me deparei com várias referências que eu gosto, ou gostaria de conhecer, e lembrei de como me empolgo com esse mundo do qual me afastei. A cultura pop (e a popular), a arte, os animes, os quadrinhos, revistinhas e artistas da internet com suas tirinhas, artistas da cidade com seus climas de bairro do limoeiro ou de mesa de bar, violência e putaria numa coletânea que eu poderia gostar... Se tem um rumo pra seguir é esse. O rumo que eu sei que funciona, de se deixar ser tocada, de nichar, de cavar mais fundo no que eu arranhei e gostei. Permitir que a identidade do presente seja a nostalgia boa do futuro. 

    E tem as companhias. A amizade deve ser justamente apreciar os acréscimos que cada personalidade faz num momento ímpar. Ver meus amigos chorando ao ouvir o tema de Túmulo dos Vagalumes e poder marcar de assistir muito em breve. Desejar a presença de alguém que eu queria que pudesse se emocionar junto com a gente. Voltar pra casa discutindo sobre acesso a cultura e sobre razões pra existir. Rir e se sentir segura. Tudo isso, só uma parte interessante do todo que foi essa noite de ontem. A vida é muito cheia, e no vazio (ou na oportunidade, no espaço) as coisas que enchem acham lugar pra escapar e se mostrar. Cabe a nós tentar ver.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

"Tudo o que eu lembro é o que perdi."

Conheci um menino que era versado na arte de ser ele mesmo. Me encantava o charme nos seus modos práticos, na delicadeza e peculiaridade das suas demonstrações de afeto, na sua risada impetuosa; e me assustava seu pensar objetivo, suas conclusões, concessões, entregas e descasos. 

Mas esse menino não tinha falas. De tanto aprender a agir se esqueceu de como falar. Não me entenda mal, ele sabia se comunicar, sabia manter diálogos. Mas em tantos momentos, decisivos ou irrisórios, lhe faltavam palavras. Ou a coragem para enunciá-las. Então ele dizia "Queria ter uma frase de deus da guerra". Mas essas não vinham e nem bastavam. 

O menino precisava aprender a colocar o coração pra fora pela boca, mas seu coração estava confinado na rigidez de sua caixa torácica. Às vezes encontrava brechas e escorria pelos braços até os punhos. Noutras era esquecido, o menino achava que estava ausente. Talvez tivesse feito as malas e ido veranear em uma praia distante. 

E que palavras bonitas ou juízos pode emitir um menino sem coração? 

A peça que processava suas emoções estava obsoleta, fora trocada pela peça das razões, que não dava trela a um poema e seus rodeios nem a uma menina e suas implicações. Por isso, de tanto querer estar melhor, estar bem, estar aqui, acolá e mais além, o menino foi estando, e deixou de ser.  

quarta-feira, 28 de abril de 2021

A Flor e o Boneco-de-Pau

 Esse conto foi criado em conjunto com uma amiga para estudar a criação de roteiro a partir de objetos.

Essa história não começa com “era uma vez”, pois todos os dias na casa da família Carls era igual. O mais atarefado dessa casa era o mordomo Jarbas, que detinha conhecimento de todos os aspectos da casa, desde a qualidade da grama do grande quintal, até o título de cada livro ou bilhete da biblioteca. 

Durante aquele fim de semana a família havia ido a um piquenique e deixado Jarbas sozinho no comando da casa, como sempre. Porém, apesar de parecer o personagem principal desta história, o mordomo logo é confrontado por um cavalo falante, que lhe rouba completamente a cena. 

“Desenha-me uma flor” disse o recém-chegado. 

O mordomo, por força do hábito, indica a entrada da casa e prepara-se para servir um chá ao estranho, sem jamais notar o estranho chifre que despontava da testa do cavalo. 

O recém-chegado acomodou-se no sofá, deitado como um membro da realeza equina. 

Enquanto Jarbas caminhava em busca de papel e caneta ele começa a notar a estranheza daquela situação. Estacou de pronto ao perceber que deixara um ser estranho entrar na casa que estava sob sua responsabilidade, e dando meia volta procurou espionar pelo canto da porta o comportamento da visita. 

Porém, ao olhar para a sala, encontrou-a vazia. Aflito, Jarbas inicia uma busca pela casa, principiando pelo quarto do casal onde havia o cofre com joias da família. 

Ao encontrá-lo vazio, ele seguiu pelos outros cômodos. Não estava em nenhum dos dez quartos da mansão, não estava na grande cozinha, tampouco na sala de jantar, ou roubando maçãs do pomar. Nem sequer tomando banho em uma das jacuzzis espalhadas pelo imóvel. Também não parecia estar apreciando o museu particular da família, ou assistindo filme em seu cinema anexo. Sequer parecia uma tentativa de roubo do jatinho. 

Até que, por fim, precisou descer do carrinho elétrico para conferir o único cômodo que restava, e que possuía uma porta estreita demais para o veículo: a biblioteca. 

Ao chegar se deparou com o cavalo deitado como realeza no chão da biblioteca lendo um livro, com outros tantos volumes ao seu redor. Ele lia as palavras em voz alta, e parava por um momento, como se esperasse que algo acontecesse. Em seguida, passava a ler o texto seguinte. 

Jarbas percebeu neste momento que o invasor não parecia querer nada de valor, nem prejudicar de qualquer modo os habitantes do lugar. E resolveu se aproximar e tentar descobrir suas intenções. 

Para tanto, pegou papel e pena, e sentou-se a escrivaninha para desenhar a flor solicitada. 

“Você ainda quer que te desenhe uma flor?” pergunta o mordomo. 

O cavalo indicou com o chifre um papel ao seu lado, que o mordomo descobriu ser um garrancho com formas vagamente semelhantes a uma flor. 

Jarbas, habituado por anos a disfarçar a graça que achava diante dos desenhos dos filhos de seu patrão, apenas deu um leve pigarro que encobriu o riso, e mostrou a flor que havia desenhado para seu visitante. 

O cavalo meneou a cabeça e assentiu, permitindo que Jarbas substituísse seu rabisco deformado pelo desenho da flor. 

E como nada dissesse, o mordomo perguntou se seu estranho visitante procurava um título específico, orgulhoso de conhecer toda a casa como a palma de sua mão. 

O cavalo detém sua leitura e com a voz carregada de nostalgia conta de sua história como criança-flor, de como gostava de ver tão perto a beleza das outras flores e sentir o vento em suas pétalas. 

Contou das cócegas que lhe faziam as patinhas das abelhas que compartilhavam o pólen, e das gotas de orvalho pela manhã. 

Seu único desejo era voltar a ter aquela vida da qual fora privado por sua arrogância e vaidade, amaldiçoado por uma borboleta, aparentemente comum, que viu-se negada a pousar naquela flor.

Como poderia o ser humano imaginar que uma inocente borboleta, com suas vestes aladas laranjas e pretas, poderia ser possuidora de tamanho poder, para decidir sobre o bem e o mal? Como poderiam compreender os mistérios da natureza? 

Dessa vez, ao olhar o cavalo, o mordomo percebeu o chifre em sua testa, e um brilho peculiar em seu olhar. Sua crina estranhamente dourada em contraste com o branco de seus pelos. 

Percebeu, de repente, que já lera um livro com aquele mesmo personagem. Num ímpeto, ele dirigiu-se a estante próxima a janela, onde havia os livros infantis, e procurou pelo livro intitulado “Meus primeiros versos”.

Ao encontrá-lo folheou até o poema “O cavalinho branco”, e, ainda de costas para o visitante, perguntou-lhe:

“Quem lhe deu indicação para vir até aqui?”

O unicórnio olhou para o mordomo, interrompendo pela segunda vez sua leitura, e disse-lhe:

“Uma velha amiga abelha indicou-me seu amigo pato, que conhecia um cachorro, que conhecia um gato, que conhecia uma lagartixa, que houvera falado uma vez com um rato de biblioteca que conhecia um livrinho de capa azul, capaz de anular minha maldição.”

O mordomo então lhe diz com ares de desconfiança:

“Tudo bem você voltar a ser uma flor... Aqui na biblioteca?”

“Eu terei minhas raízes. Seria demais pedir para que você me plantasse num jardim, com uma bela vista?” disse o unicórnio. 

Jarbas sentiu a pureza do unicórnio e não via razões para negar aquele singelo pedido. Então ele se aproxima do unicórnio e começa a recitar o poema numa voz emotiva. Muita distinta de toda a sua rotineira indiferença e servidão. 

Logo um suave brilho dourado começa a surgir do chifre do unicórnio, e em seguida todo o seu pelo começa também a brilhar. 

O mordomo se vê forçado a cobrir os olhos diante de tanta luz, e quando volta a enxergar vê uma margarida branca com as raízes expostas no chão do aposento. 

Rapidamente, Jarbas pega um vaso e coloca dentro a margarida, preparando-se para plantá-la no jardim da mansão. 

Enquanto leva o vaso para fora, pensa no melhor lugar para plantá-la, onde possa sentir o vento, o orvalho e apreciar as flores de que havia falado. Decidiu-se por plantá-la próxima a fonte junto a um canteiro de rosas, onde se destacaria e poderia apreciar a bela vista e o doce cheiro de suas novas vizinhas. 

Após esse episódio incomum, que não durara mais que uma tarde, o mordomo passou a visitar com mais frequência as flores, bem como ver cores novas ao seu redor, se libertando da indiferença que carregara até ali. Quase como se tivesse deixado de ser um boneco de madeira, sempre a postos, e houvesse se tornado um humano de verdade. 


Os objetos que basearam o texto foram, da minha parte, um livro de versos que ganhei na infância e um unicórnio de gesso que pintei na praça em um dia bom. E da parte de minha amiga foram uma flor feita de palha e um boneco de madeira que ela usa como referência pra desenhos e chama carinhosamente de Jarbas, por causa da posição das mãos. 


sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Um homem e uma pá de áudios.

 É bom refletir sobre as trivialidades da vida, e sobre aqueles pensamentos ocasionais que a gente deixa vir e se esvair mas constantemente retornam. Estava aqui lembrando de um caso e digo que descobri o quão importante foi um certo alguém... Mas vamos a história. (Para surpresa de ninguém, estava pensando nisso enquanto escovava os dentes, logo antes de me deitar. A mente parece que prevê o momento de relaxamento e já engata a quarta marcha.)

Algum tempo atrás eu o conheci. Através dele aprendi sobre sensações, organização, responsabilidade, dissimulação (ou tranquilidade), capricho. (Talvez você queira reler essas palavras com mais consciência, pois amontoadinhas assim a gente acaba não percebendo bem o peso delas). 

Era uma pessoa ímpar, dessas que aparecem em sonhos e parecem saídos de um. Nunca o compreendi. Até hoje não compreendo. 

Percebi que essa pessoa influenciou de forma direta meu futuro. E ela sequer pareceu se importar quando eu estava pra tomar essa decisão. Eu também não me importo que ela não se importe, na verdade.  Era um homem de ideias radicais e fortes. O temperamento forte também se escondia sob uma máscara impassível. Máscara mutante. Incompreensível para mim. 

Um dia ele me decepcionou. Não profundamente, mas me deixou encucada. E decepcionou um amigo em comum que também me ensinou muito. Mas, algum tempo depois os dois voltaram ao normal, e eu que já não entendia nada fui tirar a história a limpo.

Pois bem, meus amigos. A resposta veio, se bem me lembro (não lembro) depois de alguns dias, em forma de vários áudios. E eu deixei pra ver depois... Perdi os áudios. Não lembro se uma ou duas vezes e perdi a coragem de pedir de novo. Até hoje sem entender a história e curiosa pra saber como se resolveram.

Moral: ouçam os áudios dos seus amigos.